Muitos fatores inusitados tornam este filme imperdível. O primeiro dele – e bastante óbvio – é o fato de o filme sobre o pintor ter realmente a cara das pinturas de Van Gogh. Suas cores, sua pincelada, sua textura. A narrativa é construída através do visual que remete imediatamente aos seus quadros mais famosos e não deixa dúvida sobre quem estamos falando.

Dito isso, vamos aos detalhes. Após uma longa pesquisa, o roteiro foi escrito e a narrativa estava pronta. Ao invés de fazer a animação digital como se faz hoje, desenhando no computador, o projeto era construir uma animação com base em pinturas a óleo. Para contar a história, atores reais filmaram as cenas antes, para dar aos 150 artistas plásticos contratados a visão precisa do que eles tinham que pintar. Foram produzidas mais de 62 mil telas, animadas no computador em seguida para dar movimento e resultar em 94 minutos de filme. As cartas de Vincent para seu irmão foram usadas como base para construir a história e a empreitada foi paga por fãs em financiamento levantado online.

Não perca. O visual é incrível, embora a história seja carregada de melancolia. Van Gogh se matou e a história gira em torno do porquê do suicídio. O filho do carteiro que entregava as cartas de Vincent para seu irmão (e marchant de suas obras) é o protagonista, que vai atrás das pessoas que conviveram com o pintor para entender o que aconteceu. Os momentos anteriores à morte, em que Vincent aparece, são em preto e branco – o que dá ao flashback uma áurea triste e sombria. O resultado é uma obra intensa e muito audaciosa. Filme que quebra paradigma.

 

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