Segunda-Guerra não se esgota, em nenhuma das suas nuances. Impressiona cada vez que traz uma história real pra tela, ainda mais na dimensão e impacto que Dunkirk traz. Conta um fato histórico, que passou de derrota a estratégia para vencer a guerra. Encurralados pelos alemães na costa francesa da Normandia, em 1940, os soldados britânicos têm duas alternativas: ou morrem e os nazistas ficam a um canal de distância da Inglaterra, ou voltam pra casa e arquitetam a entrada dos Estados Unidos na guerra.

 

Conhecida como Operação Dínamo, o plano era resgatar os soldados no porto de Dunkirk. Acontece que bem sabia Churchill que os navios britânicos não dariam conta do recado sozinhos. Arriscou e convocou civis, com seus barcos de pesca e passeio, a atravessar o canal, driblar os caças alemães que bombardeavam o litoral, aproximar-se do pier francês e resgatar os soldados exaustos, famintos, feridos e assustados daquele horror. Muito mais do que um filme de guerra tradicional, Nolan (também diretor da trilogia Batman), humaniza e deixa bem claro o principal sentido da operação: parece bobagem, mas foi o sentimento de solidariedade que mudou a face da guerra e os passos que vieram a seguir.

Vista a partir de três prismas – o marítimo, no resgate dos barcos; o aéreo, na defesa dos caças aliados; e o terrestre, na visão dos soldados e comandantes que evacuavam as tropas – a operação que conseguiu levar pra casa 330 mil homens é realista e muito emocionante. Que diferença não faz um bom líder, faz as pessoas acreditarem no improvável. Deu certo. Filmaço.

Por Suzana Vidigal (Cine Garimpo)

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