Agatha Christie é revisitada na versão do clássico Assassinato no Expresso do Oriente e isso é muito bom. É filme de entretenimento, assim como eram seus livros. É pra ter prazer em assistir. O famoso detetive – segundo ele, provavelmente o mais famoso do mundo – é também o diretor do filme, o inglês Kenneth Branagh. Gosto dele nos dois papéis: como Hercule Poirot, é excêntrico, lógico e simplista detetive; e como diretor, consegue dar aos 12 suspeitos a mesma importância, tece a teia das evidências e suposições, e destaca o dilema de conduta moral que é bem interessante para esse tipo de obra. Acerta na fórmula sempre tão difícil da adaptação pro cinema. Aliás, não compro o discurso de que o livro sempre é melhor que o filme. Cada coisa é uma coisa, os recursos artísticos são distintos e pertencem a prateleiras diferentes. Não dá pra comparar – dá pra dizer se gosta ou não, isso sim.

A história em Jerusalém, que abre o filme, é ótima, assim como a sugestão de continuação do final. Dá uma ideia pro espectador do misto de investigação e humor que vai rolar. Já no trem que vai cruzar a Europa desde Istambul, Poirot está no mesmo vagão que outros 13 passageiros, por acaso. Um deles é assassinado e ele é a única pessoa capaz de solucionar o crime. Além do raciocínio lógico, é detetive dos detalhes, do certo e do errado. E vai nos levando junto nas suas observações, conclusões e dúvidas – inclusive éticas, o que dá um tom humano interessante, que deixa algo a mais no ar.

Gostoso de assistir, o filme tem um visual bem bonito, bom ritmo, tom divertido e elenco de peso – conta com Michelle Pfeiffer, Penelope Cruz, Jude Dench, Johnny Depp, Willem Dafoe e Kenneth Branagh. Entretenimento na medida, além do carisma que tem o melhor detetive do mundo.

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