“Como é que eu não conheço a história desses atletas, se eu consumo as matérias esportivas, se acompanho o que acontece?” Foi essa pergunta que Marcelo Mesquita se fez nas Paralimpíadas de Londres de 2012, instigado com tanta superação nas pistas, nas quadras e nas piscinas. Se ele não conhecia, imagina o grande público. Daí surgiu a ideia de acompanhar os atletas, fazer o filme e lançá-lo  antes dos Jogos Paralímpicos de 2016, aqui no Brasil.

A questão da inclusão não é só esportiva. Vai pra educação, cultura, locomoção e tudo mais que qualquer cidadão tem direito. “A ideia é que o filme transcendesse o esporte e que, ao assistir você não ficasse pensando na deficiência, mas na capacidade daquela pessoa de realizar o que ela se propunha”, arremata. E é isso mesmo. Depois de conhecer um pouco mais da história desses atletas, tive certeza de que deficientes são aqueles que têm olhar limitado, porque a capacidade de se reinventar dessas pessoas é gigante. Inimaginável.

Precisa assistir a Paratodos pra ver a dimensão. Mas dá pra pensar o seguinte: o Brasil ficou em sétimo lugar no quadro de medalhas na Paraolimpíada de Londres. Se é sétimo com essa estrutura precária que temos e com a falta de respeito do poder público com aqueles que têm alguma deficiência física, imagina o que seríamos se o país fosse um pouco mais competente. Aqui dá pra dar um grande suspiro – de pesar e de alívio. Ainda tem luz no fim do túnel, porque tem gente com muita raça nessa vida.

As histórias são inacreditáveis. Quando der preguiça de alguma coisa ou vontade de reclamar de bobagem, lembra da Terezinha, que a velocista mais rápida do mundo – e também psicóloga, que já planeja, quando encerrar a carreira de atleta, ser terapeuta esportiva; lembra do Daniel, que nasceu com má formação nos braços e pernas e já tem 15 medalhas paralímpicas; do Alan, bi-amputado que venceu o sulafricano Pistorius em 2012 e levou o ouro nos 200m rasos; do remador paraplégico, que era modelo, sofreu um acidente, ficou paraplégico e hoje é tetracampeão mundial de paracanoagem; lembra da Susana, triatleta que fazia Ironman, foi diagnosticada com uma doença degenerativa, luta contra o avanço cruel desse mal, que consome seus movimentos a cada dia. E aí, tá reclamando de quê, mesmo?

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