Todo ano o Sesc elege os melhores do cinema do ano anterior. Entre os premiados de 2017, Como Nossos Pais, da diretora Laís Bodanzky, foi o melhor nacional eleito pela crítica. Além disso, Maria Ribeiro, a protagonista, ganhou o prêmio de melhor atriz, Laís Bodanzky e Luis Bolognesi, de melhor roteiro.

O filme é realmente muito bom e provocou muita conversa pelos meses que ficou nos cinemas. Maria Ribeiro encarna a própria mulher-polvo e acumula as funções de mãe, mulher, motorista, professora, organizadora de eventos-mil, dona de casa, gerente-geral de humores, profissional, entre outras funções. Essa mulher guarda, lá no fundo, a complexa tarefa de encontrar um espaço próprio. Ou de permitir que algum estopim da vida cotidiana exploda a bolha que vai se formando dentro dela.

Rosa explode quando sabe (e não é spoiler, está no trailer) que não é filha biológica do seu pai. A bolha estoura e desabam todas as insatisfações e questionamentos guardados e fechados a sete chaves. Aliás, às vezes a gente até joga a chave fora, temendo o barulho que abri-la irá produzir.

E produz. Rosa se abre pra questionar o casamento, a profissão, a não-profissão tão desejada, a não-realização do sonho, o relacionamento complexo com sua mãe, o fato de ter de cuidar do pai atabalhoado, de ter que lidar com as filhas pré-adolescentes, com o desejo por outro homem, com a vontade de transgredir – nem que seja um pouco. O mundo despenca, pra que haja uma possibilidade de reconstrução, num outro lugar. Além da dramaturgia que envolve essa descortinar, Laís consegue trazer isso pra tela com a honestidade de quem sente o que filmou. De quem compartilha aqueles medos e anseios. É isso, tem áurea genuína – e é aí que o filme toca. Porque é comum a todos nós.

Como Nossos Pais passou pelo Festival de Berlim e levou 6 Kikitos em Gramado: melhor filme; Laís Bodanzky levou melhor direção, Maria Ribeiro melhor atriz, Clarisse Abujamra como coadjuvante e Paulo Vilhena como ator, além de montagem para Rodrigo Menecucci.

Você também pode alugar no Looke mais dois filmes da mesma diretora: As Melhores Coisas do Mundo, de 2010, e Bicho de Sete Cabeças, de 2001.

 

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