Faleceu Milos Forman, diretor do inesquecível Amadeus. Vendedor de oito Oscars, entre eles melhor roteiro, filme e diretor, o filme resgata a incomparável personalidade do gênio da música, Amadeus Mozart (1756-91), contada pela voz do compositor Antonio Salieri.

Ou melhor, é contada pela voz do seu ciúme, da sua profunda e explícita inveja, baseado na lenda criada pelo dramaturgo inglês Peter Shaffer em sua peça, já no século 20. Salieri compunha para a corte austríaca em meados do século 18, mas quem tinha o brilho e a genialidade era o pequeno, audacioso e descontrolado Mozart. Prato cheio para uma história de vingança e destruição.

Maravilhado pelo talento do compositor de Salzburg e ao mesmo tempo perturbado em não ter sido agraciado com o mesmo dom, Salieri faz do universo musical de Viena o palco perfeito para seu plano maquiavélico. Planeja a morte de Mozart, com estilo, e termina enlouquecido por sua própria raiva, inveja, admiração – o que parece que não corresponde ao real, teria sido uma “licença poética” do roteiro. Pouco importa, já que Salieri não é o objeto do filme, mas o meio. Talvez tenha sido a maneira de contar a história de Mozart sem ser tão didático, tão professoral e atingir um público que vai além dos amantes da música clássica.

Funciona, porque tem emoção, intriga, jogo de interesse – algo bem atual e atemporal. Além da música linda, da montagem das óperas, do figurino primoroso e da ambientação divina da Viena daquele século 18 pré-Revolução Francesa, o drama que se instala e é construído, movido pelas artimanhas do italiano Salieri, é envolvente, tem drama e comédia, tragédia e cultura. E dura 2h40. Portanto, reserve tempo, mas não se preocupe: você nem vai vê-lo passar.

 

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