Toda história tem pelo menos três verdades: a minha, a sua e a verdade verdadeira. Esta, da atleta Tonya Harding, é contata pelo ponto de vista dela – vide o título, Eu, Tonya. A patinadora, que foi uma das melhores do mundo e é interpretada com vigor por Margot Robbie (também em A Lenda de Tarzan), dá a sua visão dos fatos – escrachada, irônica, debochada. E com força, muita força.

Praticamente uma sobrevivente nas mãos de uma mãe perversa – pra dizer o mínimo -, Tonya é supercompetitiva, agressiva, inconstante, mas muito talentosa na pista de patinação artística. Melhor do mundo, é acusada de bolar um plano terrível contra sua rival, para tirá-la da frente nas Olimpíadas de Inverno de 1994. O caso ganha a mídia, gera comoção – afinal, ele era uma figura pública -, e a carreira vai ladeira abaixo.

Roteiro baseado em entrevistas com Tonya, sua mãe, seu ex-marido, o filme vai do tragicômico a momentos dramáticos de emoção. Gosto da personagem: complexa, cheio de nuances – alguém imprevisível, praticamente impossível de se ler. Se Tonya fala a verdade, é puro detalhe. O que importa aqui é a ótima história, o bom ritmo da trama e LaVona Golden – a mãe de Tonya, inesquecível, de tão cruel. Allison Janney (também em A Garota do Trem, Beleza Americana) levou o Globo de Ouro e o Oscar, e não passa despercebido. Aliás, Tonya não seria Tonya sem essa sua mãe.

 

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