Me Chame Pelo Meu Nome, do italiano Luca Guadagnino, tem a sutileza de uma história que acontece sem muita explicação. Elio (Timothée Chalamet, também em Lady Bird e Homens, Mulheres e Filhos) é filho de um casal de intelectuais, que costuma receber estrangeiros durante o verão. Quem chega pra passar o verão é Oliver (Armie Hammer), um pesquisador americano interessado nos mesmos temas humanistas que Mr. Perlman, pai de Elio e dono da bela villa italiana, que aterrisa causando um alvoroço na vida do jovem Elio. Nesse verão em tudo é perfeito – o clima, a natureza, a casa, a família, o compartilhar do conhecimento, o extravasar da sensualidade – a naturalidade da paixão que nasce entre Elio e Oliver é de uma delicadeza ímpar.

Ímpar porque, cada qual com suas questões e particularidades, vai tecendo uma cortina de desejos e sensações, sem a necessidade de tratar nada disso nem de forma velada, nem escancarada. Natural, do jeito que amores assim acontecem. Ambiente dos anos 80, música, figurino, cenário – tudo leva para uma atmosfera de lembrança. Assim como certamente fica a lembrança de uma paixão dessas, nesta história que ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado e deu o que falar.

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