O final de Três Anúncios para um Crime é aberto, ninguém sabe o que vai acontecer. O começo também. O meio também. Completamente imprevisível, em sequências que beiram o absurdo-crível – se é que isso é possível -, este filme que mais parece-dos-irmãos-Coen-mas-não-é conta com a inigualável Frances McDormand (também em Queime Depois de Ler). Só podia. Acreditar em algo tão surreal nos dias de hoje tem que ter gente muito poderosa por trás.

Frances sai na frente com Mildred – uma mulher amarga, irônica e espirituosa, ácida e dramática. Sua filha foi estuprada e morta, o tempo passou, a polícia não só não resolveu o caso como faz cara de paisagem e deixa a investigação meio morna. Irritada, resolve alugar três outdoors abandonados, numa estrada por onde ninguém passa e colocar três chamadas, intimando a polícia a fazer alguma coisa pra achar o assassino.

Por mais irreal que possa parecer, os diálogos, os policiais (entre desmiolados e dissimulados), o abandono da cidade de interior, a mesmice, a indiferença compõem a narrativa e mais parecem, também, personagens. Intrigante, ácido e divertido na medida, o que Três Anúncios para um Crime tem de melhor é, além de Frances, o roteiro, original demais. Mas o que é genial, também sai na frente e deixa todo mundo intrigado é esse título – longo, arriscado e sem igual. Tem que ser bom pra bancar um título desse, nada vendedor – ainda mais o original, em inglês. Mas é ele que virou o grande chamariz.

O filme levou dois Oscars (melhor atriz para Frances McDormand e ator coadjuvante para Sam Rockwell) e 4 Globos de Ouro, inclusive de melhor filme e diretor.

 

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