Sei que faz parte do ofício, mas não tem como passar despercebido toda vez que um título é traduzido tão livremente a ponto de perder completamente a ideia original. O original Sage-Femme quer dizer parteira – em inglês, foram fiéis e traduziram como The Midwife. Dar o nome de O Reencontro não só é fraco e clichê, como deixa pendente o principal significado do termo parteira: o nascimento, o novo, a esperança.

É o que acontece: a relação entre Béatrice e Claire, as Catherines Deneuve e Frot respectivamente, nasce quando elas se reencontram depois de anos remoendo o rancor. Antes, só existia desamor. Béatrice era madrasta de Claire (também em Os Sabores do Palácio, Marguerite), não se entendiam e sobrou um relacionamento de mágoas depois que ela abandonou o pai de Claire e desapareceu. Ao ficar doente, Béatrice procura a enteada, que é parteira e está num momento delicado da vida, repensando o que fazer na sua aposentadoria.

As vidas vão se entrelaçando, invadindo os espaços sem pedir licença. A rígida Claire precisa suavizar a existência, enquanto que Béatrice (também em De Cabeça Erguida, O Homem que Elas Amavam Demais) precisa deixar de ser egocêntrica e egoísta. Singelo, O Reencontro – que eu bem que preferia que fosse chamado A Parteira – fala essencialmente do perdão e do que ele é capaz de transformar genuinamente. Um santo remédio – e, para algumas coisa, o único. Belo, o cinema francês.

 

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