O que Além do Homem tem de mais bonito é a fotografia. Na jornada do escritor brasileiro a procura do antropólogo francês no interior do Brasil, além de externa a viagem é interna. É nesse limiar que as cores, enquadramentos e escolhas do diretor mesclam realidade e imaginação, as culturas francesa e brasileira, a procura e o encontro do escritor consigo mesmo.

Alberto Luppo (Sergio Guizé) mora em Paris, pena pra conseguir fazer o projeto do seu livro vingar e, no meio do impasse profissional, recebe a missão de voltar ao Brasil e encontrar Marcel Lefavre – o estudioso francês que teria sido devorado por canibais. Alberto vai, experimenta a ambientação brasileira do interior mais tradicional e singular, tem um estranhamento que, aos poucos, vai abrindo espaço na rigidez para a sua verdadeira identidade.

Além do Homem tem gente perdida na natureza, em cenas que misturam realidade com imaginação, visitando os delírios da mente humana e seus maiores medos. Pra apreciar, é preciso viajar junto e se deixar levar. O visual é um bom pretexto – envolver-se vai depender do mergulho na beleza do imaginário popular e sua sensualidade, cores e sabores.

 

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