O termo obediência está diretamente ligado a comportamentos passivos, cumprimento de regras, falta de questionamento e a presença de rigor. Muito rigor. Obedecer aos pais, professores, mais velhos; à religião, tradição, ao casamento; ao marido, pai, homem; à sociedade, expectativa, origem. Desobediência é duro, principalmente aqui, quando é o tratado com culpa, o oposto da liberdade.

Sebastián Lelio é diretor também do ótimo Uma Mulher Fantástica – chileno que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018. Enquanto fala da mulher transgênero que sofre preconceito e não consegue ser livre, aqui ele vai para a comunidade judaica ortodoxa, que pede obediência às tradições e aos preceitos religiosos, condenando qualquer atitude que coloque em risco a imagem da família e de quem convive com ela.

Econômico nas palavras, Lelio diz só o que precisa dizer. Nem precisa mais. As palavras escolhidas são tão fortes quanto as atitudes. Ronit (Rachel Weisz) mora em Nova York, seu pai morre e ela voa pra Londres para o velório. Lá encontra Esti (Rachel McAdams), que agora é casada com o melhor amigo delas na juventude. Faz tempo que não se veem e o reencontro vai gerar desconforto, levantar a poeira baixada há tempos e nos contar por que é que Ronit tira todos da zona de conforto.

Ser livre, aqui, é a questão central. Que preço tem isso? O da desobediência? E o que se busca é ser livre sem culpa, sem fugir. Esse entendimento é a parte do filme que cuida das relações acima de qualquer rótulo – e é aqui que Sebastián Lelio acerta em cheio.

 

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